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Vacinas – Por que devemos tomar?

As vacinas para COVID -19 foram desenvolvidas em menos de um ano. Foram aplicadas em um número de pessoas ainda pequeno, e muitos comentários ruins e sem fundamento tem sido vistos nas redes sociais entre outras plataformas. Mas, a verdade é que as vacinas já nos libertaram da Varíola, da Paralisia Infantil, reduziram demais os casos de Sarampo, Febre Amarela, Varicela, Influenza entre muitas outras doenças com potencial grave, que muito afetavam a vida de nossos pais e avós.

Atualmente, em tempos onde o sequenciamento de novos vírus é muito rápido, pelos métodos científicos, que estão difundidos, em que as técnicas de produção de vacinas, para diversas doenças mudaram muito, é possível sim, desenvolver vacinas seguras e eficazes em tempo recorde, sem que isso implique em riscos, ou problemas.

Precisamos agora conscientizar e estimular a todos, todos mesmo, para receberem as vacinas para COVID-19, assim que disponíveis, visto que, a vacina é seguramente a maior arma, e talvez a única (medicamentosa) que mostrou eficácia na prevenção da infecção por esse vírus, que pode levar a morte cerca de 2% das pessoas que se infectam. Sem vacina, o que funciona ainda é o uso de Máscaras, higiene das mãos com sabões ou álcool em gel e o distanciamento social.

Teorias da conspiração e delírios de comunidades antivacinas devem ser deixados de lado e, as pessoas devem continuar acreditando nos estudos científicos e nos pesquisadores. Os órgãos reguladores internacionais, assim como a Anvisa tem profissionais muito competentes que tem muita capacidade para analisar e cuidar desses assuntos.


Vacina de Oxford AstraZeneca / FioCruz

A vacina Inglesa, já aplicada aqui no Brasil, sendo produzida com o laboratório da FioCruz demonstrou em estudos recentes, taxa de imunização de 76% três semanas depois da primeira dose, superior aos números iniciais que eram de 70,4%. Essa taxa é mantida até 90 dias após a aplicação.

A vacina tem uma tecnologia inovadora, em que, utiliza um vírus não patogênico (ou seja, que não provoca doença), no caso um Adenovírus, que carrega a proteína “S – spyke” do coronavírus, provocando reação de imunidade contra esse último.

Os estudos clínicos da vacina também apontaram uma eficácia de 82,4% com a segunda dose, em um intervalo de três meses após a primeira dose. Esse novo resultado é melhor do que o encontrado anteriormente, com uma eficácia de 74,9%, quando o reforço estava sendo aplicado após um mês e meio.

As possíveis reações adversas, incluindo nos idosos, foram leves. As reações mais comuns foram dor no local, febre e dor de cabeça, todas de intensidade leve ou moderada. Nenhuma reação grave foi relacionada à imunização.

Outra importante vantagem é que a conservação da vacina se dá em temperaturas de geladeira comum (de 2ºC a 8ºC). Assim, a distribuição e conservação nas unidades de saúde utiliza a rede de frios já existente para outras vacinas, sem necessidade de investimento em geladeiras especiais.


Vacina Butantan Coronavac

A vacina Chinesa, também já aplicada aqui no Brasil, sendo produzida em parceria com o Laboratório do Instituto Butantan, demonstrou taxa de soroconversão superior a 95%. Porém em estudo de eficácia global chegou aos 50,34% de proteção. Isso significa que metade das pessoas não pegam COVID-19 quando recebem a imunização completa em duas doses, apesar de 95% formarem anticorpos contra o vírus. Mais importante que isso é que nessa metade de pessoas que pegaram a doença, apesar da vacina, não houve formas graves. Com isso a taxa de proteção para formas leves foi de 78% e de 100% para formas graves.

A vacina foi desenvolvida com uma tecnologia consagrada, já utilizada em outras vacinas tal qual a da gripe, com vírus inteiro e inativado (morto). Desta maneira, talvez haja um risco menor de que mutações e novas estirpes virais influenciem no resultado da imunização, visto que há mais regiões antigênicas envolvidas no processo.

De acordo com a Bula, as reações adversas são: Reação muito comum (> 1/10) o Local: dor - Reação comum (> 1/100 e ≤ 1/10) o Sistêmica: fadiga, febre, mialgia, diarreia, náusea, dor de cabeça. Não houveram reações graves.

Da mesma forma que a vacina inglesa, a temperatura de conservação é de geladeira comum para vacinas (entre 2ºC a 8ºC), permitindo o uso da atual rede de frios do Ministério da Saúde e dispensando investimentos.


Vacina da Pfizer/BioNTech

A vacina utiliza o RNA-mensageiro (RNAm), uma proteína que é criada durante a fase de replicação do vírus. Diferente da CoronaVac ou da AstraZenca/Oxford, que utilizam o cultivo do vírus em laboratório, essa proteína é uma cópia sintetizada em laboratório, o que facilita sua produção em maior escala. Sequências de RNA sintetizadas por meio de engenharia genética, fazem o processo mais barato e reduzem o tempo para produção. O RNAm em questão é uma cópia da proteína spike “S”, específica do vírus Sars-CoV-2, parte do COVID-19 que é essencial para invadir as células humanas.

Portanto é só uma parte proteica da cápsula do vírus, sintetizada em laboratório, que não causa a doença, como o vírus, mas faz criar reação imune de células e forte produção de anticorpos.



A vacina demonstrou eficácia de 92% com dose única em estudos clínicos, o que tem feito adiar a segunda dose. Ou seja, será aplicada apenas uma dose pela alta eficácia apontada.

Em contrapartida, como se trata de uma vacina que mimetiza um segmento do vírus, mutações nessa região viral poderiam fazer a vacina falhar. Estuda-se uma mutação Sul-Africana que poderia já estar causando falha dessa vacina.

Outro problema, é a necessidade de conservação em temperaturas muito baixas (-70 graus), o que impediria de usar a atual rede de frios das vacinas já disponíveis. Porém, o fabricante informou mais recentemente que, foram estudados lotes do imunizante fabricado nos últimos nove meses, com ampolas retiradas dos primeiros testes clínicos e também doses da escala comercial atualmente em produção, se verificando que, em temperaturas que variam de 60 a 80 graus negativos, a vacina pode permanecer armazenada por até seis meses. Entre 15 e 25 graus abaixo de zero, por duas semanas, e antes de misturada com o diluente para a aplicação em pacientes. Também pode ser refrigerada por até cinco dias na temperatura padrão de refrigeradores domésticos, entre 2⁰C e 8⁰C. O difícil é ter uma logística tão ágil a ponto de receber, distribuir e aplicar a vacina em tão pouco tempo. Foi isso que fez o governo brasileiro recusar 70 milhões de doses no fim do ano passado. Há 2 dias o registro definitivo foi aprovado pela Anvisa, porém, acredito ser “mosca branca” por aqui, pelo menos por enquanto.

 

DR. MARCELO FERNANDO RANZANI

É Médico Clínico Geral e Infectologista, atua como médico responsável pela CCIH – Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Nossa Senhora da Piedade.

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